Agosto de 2025 marca o início de um ciclo histórico para o etanol de milho no Brasil: são mais de R$ 40 bilhões previstos em investimentos, com pelo menos 16 novas usinas programadas para entrar em operação até 2026, consolidando um novo ciclo de crescimento no setor energético nacional
A pioneira FS Bioenergia segue à frente dessa transformação. Desde 2017, opera três usinas no Mato Grosso (Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste), que juntas produzem cerca de 2,3 bilhões de litros/ano. Agora, com um investimento de R$ 2 bilhões, está construindo sua quarta planta em Campo Novo do Parecis (MT), com previsão de capacidade de 540 milhões de litros anuais e entrada em operação até 2026 .
A Inpasa, de origem paraguaia e a maior produtora de etanol de milho do país, também está ampliando sua presença nacional. Já opera três usinas (em MT e MS) e soma investimentos em projetos em fase final nos estados do MS (Sidrolândia) e MA (Balsas), com destaque para a planta em Balsas: R$ 2,5 bilhões com capacidade de 925 milhões de litros por ano. Anúncios adicionais incluem empreendimentos em Luís Eduardo Magalhães (BA), com R$ 1,2 bilhão e 460 milhões de litros/ano, e Rio Verde (GO), com R$ 2,5 bilhões em investimentos. A expectativa é que a Inpasa atinja 5 bilhões de litros anuais nos próximos anos
O setor tradicional também está embarcando nessa expansão. A CerradinhoBio inaugurou uma propriedade em Maracaju (MS) com investimento de R$ 1,08 bilhão, produzindo 266 milhões de litros por ano via sua marca Neomille. A São Martinho, por sua vez, destinou cerca de R$ 350 milhões à sua primeira destilaria de milho em Goiás, com capacidade estimada em 210 milhões de litros anuais .
Esses aportes somados fazem parte de um grande crescimento — o Itaú BBA estima que apenas os novos investimentos anunciados em julho podem elevar em mais de 50% a produção de etanol de milho até a safra 2026/27, de 8,2 bilhões de litros (safra 2024/25) para mais de 12,1 bilhões de litros
Fundamentais para essa virada estratégica são os fatores técnicos: o milho permite duas colheitas por ano (a chamada “safra” e “safrinha”), garantindo matéria-prima mais estável e contínua para a produção; além disso, o rendimento é muito superior ao da cana: 380 a 410 litros de etanol por tonelada de milho, versus apenas 43 litros por tonelada de cana-de-açúcar
O vice-presidente do Grupo Potencial, Carlos Eduardo Hammerschmidt, destaca que “o milho foi uma acertada na mosca”, evidenciando como o milho safrinha se consolidou como um insumo estratégico para o setor de biocombustíveis
Uma nova era para o etanol de milho
Esses investimentos reforçam como o etanol de milho deixou de ser uma alternativa tímida e passou a representar uma força robusta no cenário energético brasileiro — um impulso que converge sustentabilidade com inovação e segurança energética.