No final de agosto de 2025, Santa Catarina recebeu uma notícia que poderá redefinir seu posicionamento logístico no Brasil: a Coamo, maior cooperativa agrícola do país, anunciou um investimento de R$ 3 bilhões na construção de um novo porto em Itapoá, que promete ser o oitavo terminal portuário do estado.
A Coamo e seu papel estratégico no agronegócio brasileiro
A Coamo, com presença consolidada no setor, registrou um faturamento de R$ 28,8 bilhões em 2024 e reúne cerca de 32 mil cooperados, dedicados principalmente à produção de grãos como soja, milho e trigo. Operando atualmente em dois terminais no Porto de Paranaguá, no Paraná, a expansão para Itapoá é o reflexo de uma necessidade clara de ampliação de capacidade de escoamento.
O projeto do novo porto: estrutura e operação prevista
Dimensões e capacidade
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O projeto ocupará 43 hectares de terra.
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Terá três berços de atracação e capacidade para movimentar até 11 milhões de toneladas por ano.
Tipos de terminais abrigados:
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Granéis agrícolas (como soja, milho e trigo)
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Combustíveis líquidos
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Fertilizantes
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Gás liquefeito de petróleo (GLP)
O cronograma aponta o início das operações para 2030, de modo a alinhar construção, testes e entrada em operação.
Por que Itapoá foi escolhida: infraestrutura e sinergia logística
Vantagens geográficas e de mobilidade
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Itapoá se destaca pela robusta malha viária que já conta com duplicações nas rodovias SC-416 e SC-417.
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Também é estratégica a dragagem da Baía da Babitonga, facilitando o tráfego de até mil caminhões por dia.
Contexto político e de governança
Durante reunião em 25 de agosto de 2025 com o governador Jorginho Mello, os executivos da Coamo reforçaram a atratividade de SC para grandes investimentos logísticos — o que fortalece o estado como hub de exportação e importação.
Impactos esperados: emprego, economia e competitividade
Geração de empregos
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Estima-se a criação de aproximadamente 2 mil empregos diretos durante a construção.
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Quando estiver em operação, o terminal poderá gerar até 1 mil vagas permanentes.
Dinamização da economia catarinense
O investimento complementa o potencial de Santa Catarina no agronegócio, indústria e exportação — setores que já contribuem significativamente para o PIB estadual. A chegada do oitavo porto reforça a vocação logística do estado no Brasil.
Comparativo: os portos catarinenses e o novo terminal
Santa Catarina já se destacava nacionalmente com um número expressivo de portos. Com esse novo terminal, o estado amplia ainda mais sua liderança em infraestrutura portuária. A Coamo, com faturamento robusto e sólida base cooperada, impulsiona esse movimento e contribui para modernizar todo o sistema logístico regional.
Conclusão: um marco para o agronegócio e o desenvolvimento
O projeto da Coamo em Itapoá é muito mais que um empreendimento — é uma virada estratégica na forma como a produção agrícola brasileira pode ser conectada ao mercado global. Ao unir capacidade de investimento, know-how cooperativista e infraestrutura logística, Santa Catarina se posiciona — mais uma vez — como peça-chave no agronegócio e no comércio internacional.