Imagine que você monta uma carteira com 60% em ações e 40% em renda fixa. Passa um ano, a bolsa dispara e agora sua carteira está 75% em ações e 25% em renda fixa. O que aconteceu? Seu risco aumentou sem você perceber.
É aí que entra o rebalanceamento: o ato de ajustar a carteira para que ela volte ao equilíbrio planejado.
O perigo de não ajustar
Sem rebalancear, sua carteira pode ficar mais agressiva (ou mais conservadora) do que você gostaria. Isso aumenta a chance de perdas inesperadas ou, ao contrário, reduz seu potencial de ganho.
Métodos de rebalanceamento
  • Por tempo: revisar a cada 6 meses ou 1 ano.
  • Por tolerância: só ajustar quando a diferença ultrapassar, por exemplo, 5% do planejado.
  • Híbrido: revisar periodicamente, mas só mexer se a diferença for grande.
Rebalancear é vender caro e comprar barato
Na prática, quando você vende um pouco de ações (que subiram) e compra renda fixa (que ficou para trás), está aplicando automaticamente a lógica de “vender caro e comprar barato”. Ou seja: disciplina disfarçada de manutenção.
Exemplo simples
Suponha que você queria manter:
  • 50% ações
  • 30% renda fixa
  • 20% fundos imobiliários
  • Depois de 1 ano:
  • Ações viraram 65%
  • Renda fixa caiu para 20%
  • FIIs ficaram 15%
O rebalanceamento faria você vender parte das ações e realocar em renda fixa e FIIs. Parece contraintuitivo, mas é o que mantém a saúde do portfólio.
Dicas práticas para o rebalanceamento funcionar
Use aportes futuros para equilibrar, em vez de vender.
Defina sua “tolerância de risco” e seja fiel a ela.
Registre suas decisões para evitar arrependimentos no calor do momento.
Reflexão final
Pergunte-se: “Minha carteira de hoje ainda representa quem eu sou e meus objetivos?”
Se a resposta for não, é hora de rebalancear. Afinal, investir não é sobre montar uma vez — é sobre manter o equilíbrio ao longo do tempo.